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Nomofobia?
27/07/2012 - Fonte: Sandro Silva Araujo



Correu o mundo a história que um adolescente chinês de 17 anos vendeu um dos seus rins por três mil e quinhentos dólares para comprar um iPhone e um iPad.

O garoto confessou para a mãe a bobagem que fez porque não teve como explicar onde havia arranjado dinheiro para comprar os equipamentos. Cinco pessoas foram indiciadas pelo crime e o jovem, identificado como Wang, arranjou uma insuficiência renal, fruto não somente do extremo que chegou, mas da Nomofobia. Um mal que pode afligir nada menos do que 8 a cada 10 pessoas no mundo, e inclusive você pode ser um portador.


Epidemia

A Nomofobia é uma doença desta era digital em que vivemos, e que começa com a angústia ante a ideia de perder ou não poder usar o telefone celular, acessar o facebook, twitter, MSN, ouvir mp3. É claro que a nomofobia (do inglês "no mobile phobia") não tem origem no celular ou computador propriamente dito, mas sim naquilo que a Psiquiatria chama de Síndrome do Pensamento Acelerado, isto é, a ansiedade causada pelo excesso de atividades e informações dos mais variados meios de comunicação e mídias. Segundo pesquisas realizadas, aproximadamente 70% das pessoas dizem ser "impossível" ficar por mais de meia hora sem acessar internet ou ouvir músicas, e em sua grande maioria com idades entre 13 e 24 anos de idade.


Da tecnofobia à tecnofilia

Outras "patologias" desta era digital são dois opostos que definitivamente não se atraem: a Tecnofobia e a Tecnofilia. Trocando em miúdos, a tecnofobia pode ser observada naqueles que não têm telefone celular, computador ou que têm, a contragosto, mas estão sempre prestes a atirá-los pela janela sempre que não conseguem acessar uma de suas funções. São os que vêem as inovações tecnológicas de toda sorte como algo ruim, em um processo de desumanização da sociedade ante as máquinas cada vez mais poderosas, menores e presentes em todos os aspectos e momentos da vida humana. Já a tecnofilia é, na melhor das hipóteses, a adesão acrítica aos avanços tecnológicos e a crença de que estes avanços são a chave para uma vida melhor; na pior, é uma espécie de atração tresloucada pela tecnologia, ou melhor, pela tecnologia de última geração. Novamente trocando em miúdos, trata-se daquele sujeito que acampa na porta da loja de eletrônicos e informática para ser o primeiro a comprar as últimas versões do iPhone e do iPad, ou mesmo em um jovem chinês que está disposto a quase tudo para ter em mãos os aparelhos da moda. Cabe aqui para nossa reflexão uma frase de Steve Jobs, um dos grandes responsáveis pela facilidade tecnológica e digital do mundo contemporâneo: "Nós estamos vendo as coisas mudarem. Achamos que isto é um poder tremendo. Mas estamos perdendo algo essencial, a capacidade de criação! E eu trocaria toda a minha tecnologia por uma tarde com o filósofo Sócrates, que dizia o quanto devemos despertar o conhecimento que temos em nossa mente!".