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Mães da Praça de Maio
27/07/2012 - Fonte: Sandro Silva Araujo



Desde o dia 30 de abril de 1977, quando Azucena Villaflor propôs às mães cujos filhos haviam sido dados como "desaparecidos" pela ditadura argentina, se reunissem na Praça de Maio.

Para forçar que o General Presidente Videla as recebesse, quando ainda acreditavam "que ele era um homem", até hoje, toda semana, sem exceção, todas as quintas à tarde estão lá com seus lenços brancos na cabeça numa luta incansável contra o genocídio, contra o esquecimento, contra a tortura e a morte, contra o desaparecimento de 30 mil cidadãos durante a ditadura militar argentina.


Luz no céu negro

Em uma discussão na Universidade de Buenos Aires sobre a questão da luta contra a minimização e esquecimento dos crimes contra a ditadura militar, refletiu-se que a diferença entre Brasil e Argentina, o que poderia se estender a todas as outras nações da América do Sul quando comparadas nos termos desta questão, era muito simples e chamava-se: Mães da Praça de Maio. Como disse recentemente o poeta argentina Juan Gelman: "Elas foram a única resistência sólida e constante ao largo de todos estes anos. As Mães não permitiram que este tema [da memória e da justiça] caísse no esquecimento". Após a ditadura, com a redemocratização do País, as Mães seguiram e, sempre com independência e posição firme, rechaçaram toda qualquer tentativa do governo civil acobertar ou anistiar os culpados pelas torturas e desaparecimentos na ditadura. Vibraram com a condenação dos generais Videla e Massera a prisão perpétua. Indignaram-se com a promulgação das leis de Obediência Devida e Ponto Final, que deixava os chamados participantes intermédios dos crimes hediondos livres de julgamento.


Bodas de Coral

São 35 anos de vida, paixão e luta, e se se observa que muitas dessas mulheres já eram velhas quando organizaram as primeiras marchas na Praça de Maio, é impressionante a vivacidade com que estão lá hoje e como se envolvem em todas as manifestações sociais. Elas possuem ligação com inúmeras organizações sociais e ONG's da Argentina e de outros países, tem relação de amizade e parcerias com uma infinidade de artistas, políticos e intelectuais de todo o mundo e a quantidade de teses, filmes, livros, músicas, pinturas, todos os trabalhos sobre elas é hoje impossível de catalogar dada a abrangência e grandiosidade. E sua luta hoje é pela Memória, a Verdade e a Justiça dos que tombaram na luta durante a ditadura, assim como também carregam nestas três palavras a luta dos trabalhadores, dos explorados e excluídos, a luta pelos serviços públicos indispensáveis, por um mundo melhor. Enfim, um belo exemplo a ser seguido e refletido neste dia das mães, especialmente pelo fato de que nosso país também viveu sob uma violenta ditadura!