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A lamparina de Diógenes Diógenes
27/07/2012 - Fonte: Sandro Silva Araujo



Filósofo grego do século IV a.C., ficou conhecido pela história como um filósofo irreverente e crítico dos costumes.

Foi exilado da sua terra natal e morando em Atenas decidiu ser uma espécie de morador de rua, um mendigo que fez da pobreza extrema uma postura e a sua virtude. A sua casa era um barril e tinha uma característica: andava pelas ruas com uma lamparina durante o dia e dizia sempre estar procurando um cidadão honesto. Ele acreditava que a virtude está ligada a ação e não à teoria. Transformou-se num incômodo e fez da sua vida uma campanha contra as instituições hipócritas e valores equivocados de uma sociedade corrompida e corrupta. A esta altura, o leitor poderá pensar com seus botões: "Talvez ele acabasse achando um cidadão honesto, mas o que eu queria ver mesmo era se ele era capaz de encontrar ao menos um político honesto". Mas só para contrariar eu acredito que existam alguns deles, e um particularmente chamou minha atenção nesta semana e por isso transcrevo sua entrevista nesta coluna.


Brado Retumbante

Assino o jornal eletrônico Correio da Cidadania, fundado em 1996, com o objetivo de colaborar com a construção da mídia democrática e independente. Há 12 anos, o Correio da Cidadania oferece visão crítica de acontecimentos políticos, econômicos e sociais, fazendo contraponto à uniformidade editorial da grande imprensa. E em meio a mais um imenso escândalo que teria potencial para esfarelar metade da República, desta vez envolvendo o senador Demóstenes Torres e suas relações com o bicheiro/empresário Carlinhos Cachoeira, cujos negócios e interesses eram cuidados por um dos parlamentares mais moralistas e "anticorrupção" dos últimos tempos, o Correio da Cidadania conversou com outro senador, o gaúcho Pedro Simon, que diante de tamanha desmoralização das instituições, não hesita em desacreditar todas as instâncias do poder, admitindo que somente a participação e interferência da sociedade podem alterar o atual rumo de nossa política e cita a lei da Ficha Limpa como exemplo de que mudanças positivas só podem vir de fora dos poderes. Sem dúvidas que sua postura relembra a de Diógenes e faz-nos acreditar que nos resta um fio de esperança de que dias melhores podem vir, depende de nós!


A lamparina dos cidadãos

Na medida em que as pessoas compreenderem que o comportamento ético é valorizado porque é procurado e raro, entenderão que é um bom negócio ser ético. Assim como Diógenes devemos romper os padrões estabelecidos e viver de acordo com a honestidade e a ética, eis nossa lamparina. Não podemos perder nenhuma oportunidade, para darmos exemplos de atitude ética em nossas próprias ações, pois já é do conhecimento popular que a palavra convence, mas o exemplo arrasta. Termino recordando outro filósofo, o alemão Immanuel Kant: "Age de forma que a norma do teu proceder possa tornar-se uma lei Universal". A proposta de Kant guarda estreita relação com a atitude de Diógenes e de Pedro Simon, de que com o resultado do nosso esforço, podemos esperar que as consequências da ação ética se espalhem gradualmente e acabem por forçar a todos a aderir ao novo padrão de comportamento como imperativo de conduta.