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Lição de Férias
10/01/2011 - Fonte: Sandro Silva Araujo



Janeiro chegou chuvoso como sempre, mas isso não faz mal, afinal é período de férias. Por falar nisso, quais os motivos pelos quais tiramos férias?

Pelo menos em teoria, podemos dizer que tiramos férias para dedicarmos um período exclusivamente ao prazer, fazendo coisas não por obrigação, mas por vontade. É quando temos mais tempo para ficar com a família, namorar, brincar com as crianças. Aproveitamos para viajar, conhecer algum lugar novo, ler um romance, assistir a mais filmes. Na prática nem sempre é assim, pois muitos aproveitam o período de férias para arrumar a casa ou resolver problemas antigos, isso quando não usam o tempo para arrumar um bico, enfim, cada pessoa tem sua medida de trabalho e de descanso. É certo que, como diz a regra de São Bento, "o não fazer nada é nocivo para a alma", pois, além de negativa, a ociosidade acaba gerando neuroses, violências e outros vícios. Ninguém deve negar o valor do trabalho, mas São Bento a equilibra com o seu "ora et labora", isto é, ora e trabalha.

Férias Criativas

O Ocidente precisou de filósofos contemporâneos para valorizar a ideia beneditina. Os pensadores Domenico de Masi e Alvin Toffler, propõem que o tempo livre é a alavanca da criatividade para um amanhã mais humano e feliz. Em geral, a sociedade atual só dá valor ao trabalho. Em função do trabalho, incentiva o estudo, mas não planeja nem organiza o lazer. Na escola, as pessoas se preparam para saber o que fazer com 1/7 do seu tempo útil. Mas, todo o resto do tempo fica sem planejamento. Tempo de férias não propõe ausência de ocupação, mas deseja relacionar melhor trabalho, estudo e lazer. Ajuda as pessoas a planejar melhor o tempo livre e aprofundar o sentido e o valor do lazer. O importante é que esta criatividade seja assumida como fonte de sabedoria para a organização da sociedade.

E as crianças?

Até aqui falamos apenas para os adultos, mas as crianças merecem toda nossa atenção, aliás, as férias escolares é um momento oportuno para que possam receber um pouco mais de atenção dos pais. Péssimo, se são tidos como estorvo e mais suportados do que amados. Criança é como radar: capta à distância o sentimento que temos por ela. A indiferença a entristece. A agressão a deforma. Quem bate em criança ajuda a gerar um monstro. Na biografia de muitos torturadores e assassinos consta que, na infância, levavam surras frequentes. Não deixe de passear com seus filhos, enturme-se com eles no esporte, nos jogos, nas brincadeiras e na leitura. Ensine-os a gostar de filmes educativos, bons livros e boas músicas. Apresente-os à obra de Monteiro Lobato e outros. Leve-os à religião que você frequenta, explique a eles episódios das Histórias e Livros Sagrados, ajude- os a descobrir o valor da fé e da oração. Entre vocês não devem existir temas tabus. Procure tratar as situações-limites da vida com abertura e profundidade: dor, perda, falência, parto, morte, enfermidade, sexualidade e espiritualidade. Mas não caia no erro de não impor limites. Criança precisa de limites para aprender a respeitar, ter disciplina, saber perder, ganhar sem arrogância e conhecer o prazer como fruto do dever. Procure, desde cedo, incutir-lhes valores éticos, que hoje andam um pouco esquecidos. A felicidade é um bem interior. É um fruto que só floresce regado com muito amor, e o período de férias, mais do que nunca é o momento de "resgatar o tempo", é também um exercício de gratuidade e arte que, quando se vive com humanidade e abertura de coração, pode tornar a vida uma bela obra de arte, capaz de nos indicar o caminho da felicidade. Sinceramente, eu acredito muito nisso! E você?